terça-feira, 9 de junho de 2015

Introdução à Eletroencefalografia (EEG) - Parte 1

O método da "Terapia Facilitada por Neurofeedback (TFN)" utiliza equipamentos para captar a ativar cerebral e para que possamos transformálos em estímulos sensoriais durante intervenções tradicionais


http://www.psych.nmsu.edu/~jkroger/lab/EEG_Introduction.html

      Dentre os instrumentos não invasivos, o de maior destaque clínico é o Eletroencefalograma (EEG). As  suas principais vantagens são a elevada resolução temporal, pois obtemos sinais na escala de milissegundos, e a portabilidade, já que os equipamentos mais atuais podem ser fixados em toucas e enviar as informações sem fio ao computador

      Mas o que exatamente é captado com o EEG? Um eletrodo posicionados no couro cabeludo recebe a somação dos potenciais elétricos gerados por populações de neurônios,  principalmente pelas células Piramidais. Para a nossa sorte a maioria delas são orientadas de forma apical, ou seja, voltadas para a superfície onde posicionamos os nossos sensores.  

http://images.slideplayer.com.br/1/295297/slides/slide_12.jpg

     Portanto é importante frisar que nós não estamos medindo o potencial de ação de um neurônio isolado, e sim, o somatório da atividade de uma população de células. Uma analogia seria se posicionarmos um microfone dentro de um estádio de futebol. 

           

      Caso todos os torcedores estejam cantando a mesma música, será captado um sinal sincronizado e de grande amplitude, similar ao acontece numa crise epilética quando vários neurônios disparam ao mesmo tempo provocando um sinal do EEG de alta amplitude e de baixa frequência. Mas se cada torcedor estivesse cantando uma música diferente, o nosso sinal seria de alta frequência, pois os "disparos" aconteceriam de forma aleatória e por isso com menor amplitude 


Em breve iremos falar mais sobre os ritmos cerebrais.


Mais informações: Terapeutas NeuroUP (grupo no Facebook)



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Ubirakitan Maciel 


Diretor Executivo da Up Biomedical

Pesquisador do grupo de Neurodinâmica/Mestrando em Neurociências UFPE 








segunda-feira, 1 de junho de 2015

Terapia Facilitada por Neurofeedback (TFN)

O cérebro humano tem a incrível capacidade de adaptar-se e de criar novas conexões em resposta a estímulos, característica conhecida como Neuroplasticidade. 


Diversas abordagens terapêuticas são capazes de induzir estas mudanças, sejam elas por estímulos cognitivos, sensoriais, musculoesqueléticos, vestibulares, farmacológicos e eletromagnéticos.   

       

Estes efeitos ocorrem de forma gradual, mas as mudanças visíveis no comportamento costuma demorar para serem percebidas. Por isso é comum ouvir o relato de pacientes que não sentiram nenhuma diferença no início de seus tratamentos, mas que "de repente" melhoram significativamente à partir do segundo mês.

        O problema é que muitos pacientes sentem-se desestimulados por não perceberem os próprios avanços, muitas vezes desistindo de seus tratamentos. Já os terapeutas não têm um feedback constante, sessão por sessão, para auxiliar na tomada de decisão de estratégias personalizadas para obter melhores resultados e para demonstrá-los de forma objetiva. 


Uma forma de medir a atividade cerebral com a finalidade terapêutica é através do Neurofeedback, técnica na qual os sinais corticais são transformados em estímulos sensoriais que podem ser treinados pelo paciente. Este método costuma ser empregado como forma isolada de tratamento, na qual o paciente senta-se em frente ao monitor e o seu cérebro busca estratégias (muitas vezes implícitas) para atingir um objetivo fixado pelo terapeuta de acordo com a resposta recebida pelo computador.


Mas vamos pensar em três situações hipotéticas:


1. Um paciente com hemiparesia por acidente vascular encefálico (AVE) com o auxílio de um feedback indicando o grau de ativação de sua área motora primária lesada durante o tratamento com fisioterapeutas/terapeutas ocupacionais?


2. Um tratamento fonoaudiológico a um paciente com Afasia com o monitoramento, em tempo real, de sua área de Broca. O profissional poderá obter uma "Curva de aprendizado" com evolução do seu paciente em cada sessão.


3. Uma intervenção psicológica a um paciente com depressão sendo facilitada por um feedback visual ou sonoro da assimetria do córtex dorsolateral pré-frontal  


Estes são exemplos de aplicações do método da "Terapia Facilitada por Neurofeedback (TFN)", no qual o Neurofeeedback é utilizado para monitorar a atividade cerebral durante as intervenções terapêuticas tradicionais, além de ser uma forma objetiva de medir o avanço da neuroplasticidade dos tratamentos. 

No próximo post iremos entrar em mais detalhes de como funciona esta abordagem, e sintam-se à vontade para compartilhar seus comentários.



Mais informações: Terapeutas NeuroUP (grupo no Facebook)


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Ubirakitan Maciel 

Diretor Executivo da Up Biomedical

Fisioterapeuta/ Mestrando em Neurociências