Terapia Facilitada por Neurofeedback (TFN)
O cérebro humano tem a incrível capacidade de adaptar-se e de criar novas conexões em resposta a estímulos, característica conhecida como Neuroplasticidade.
Diversas abordagens terapêuticas são capazes de induzir estas mudanças, sejam elas por estímulos cognitivos, sensoriais, musculoesqueléticos, vestibulares, farmacológicos e eletromagnéticos.
Estes efeitos ocorrem de forma gradual, mas as mudanças visíveis no comportamento costuma demorar para serem percebidas. Por isso é comum ouvir o relato de pacientes que não sentiram nenhuma diferença no início de seus tratamentos, mas que "de repente" melhoram significativamente à partir do segundo mês.
O problema é que muitos pacientes sentem-se desestimulados por não perceberem os próprios avanços, muitas vezes desistindo de seus tratamentos. Já os terapeutas não têm um feedback constante, sessão por sessão, para auxiliar na tomada de decisão de estratégias personalizadas para obter melhores resultados e para demonstrá-los de forma objetiva.
Uma forma de medir a atividade cerebral com a finalidade terapêutica é através do Neurofeedback, técnica na qual os sinais corticais são transformados em estímulos sensoriais que podem ser treinados pelo paciente. Este método costuma ser empregado como forma isolada de tratamento, na qual o paciente senta-se em frente ao monitor e o seu cérebro busca estratégias (muitas vezes implícitas) para atingir um objetivo fixado pelo terapeuta de acordo com a resposta recebida pelo computador.
Mas vamos pensar em três situações hipotéticas:
1. Um paciente com hemiparesia por acidente vascular encefálico (AVE) com o auxílio de um feedback indicando o grau de ativação de sua área motora primária lesada durante o tratamento com fisioterapeutas/terapeutas ocupacionais?
2. Um tratamento fonoaudiológico a um paciente com Afasia com o monitoramento, em tempo real, de sua área de Broca. O profissional poderá obter uma "Curva de aprendizado" com evolução do seu paciente em cada sessão.
3. Uma intervenção psicológica a um paciente com depressão sendo facilitada por um feedback visual ou sonoro da assimetria do córtex dorsolateral pré-frontal
Estes são exemplos de aplicações do método da "Terapia Facilitada por Neurofeedback (TFN)", no qual o Neurofeeedback é utilizado para monitorar a atividade cerebral durante as intervenções terapêuticas tradicionais, além de ser uma forma objetiva de medir o avanço da neuroplasticidade dos tratamentos.
No próximo post iremos entrar em mais detalhes de como funciona esta abordagem, e sintam-se à vontade para compartilhar seus comentários.
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Ubirakitan Maciel
Diretor Executivo da Up Biomedical
Fisioterapeuta/ Mestrando em Neurociências
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